O paradoxo do tempo

Algumas pessoas, eu sou uma delas, são apaixonadas por estrelas.

Muitas pessoas já fizeram esta avaliação. Certamente não serei o primeiro.

Os físicos, os astrônomos, os grandes mestres que me perdoem, mas vou me intrometer.

Uma estrelinha, bem pequenininha, lá no fundo do universo. Aquela de luzinha enfumaçada, de brilho quase apagado. Longe, muito longe daqui. Anos luz de distância. Pode ser que já não exista mais há milênios. Pode ser que fisicamente tenha sido extinta antes mesmo do homem tentar entender o universo que o cerca.

Seu brilho ainda está lá porque não ouve tempo para sua escuridão nos atingir.

Tanto quanto é veloz a luz, é veloz a escuridão.

Tudo o que estou tentando dizer é que entre o fato acontecer e o presente, existe uma distância a ser percorrida e com ela um lapso de tempo a ser percebido.

Este lapso temporal será tão menor quanto menor for a distância e maior a percepção. Porém, com toda certeza, o lapso irá existir. Em existindo o lapso entre o fato e sua percepção conclui-se que quando o presente é percebido, já será passado, não haverá retorno.

Um bom exemplo se aplica ao universo literário. Há, obviamente, um lapso de tempo entre o momento que alguém escreve e o momento que o texto está sendo lido.

Para quem lê é presente. O presente de quem lê, é o futuro de quem escreve. Por outro lado, o presente de quem lê, será passado para quem escreveu.

O presente é tão rápido, tão efêmero, que mal começa e já é passado.

Presente, passado e futuro, passam a ser uma questão de ponto de vista.

Ouvi alguém dizer, apenas ouvi, não o vi e, portanto, não sei quem disse:

"O tempo é o fogo que nos consome."

O presente é fogo que se alimentou do passado. O futuro será fogo alimentado pelo presente, quando então será passado.

A chama que nos consome é alimentada pelo presente e temperada pelo passado.

Não há chama para o futuro. Apenas perspectiva. O futuro é uma total incógnita!

Se o futuro é uma medida incógnita; Se o futuro só será real quando se tornar presente; Se o presente, dentro de sua infinitamente pequena transitoriedade, tão logo existe e já é passado.

Corro o risco de afirmar que o presente, o passado e o futuro, não passam de um paradoxo. Presente, passa

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