Desabafo

Não me interessa o que você faz para viver.
Eu quero saber o que de fato você busca e,
se é capaz de ousar sonhar em encontrar 
as aspirações do seu coração.
Não me interessa a sua idade, eu quero saber
se você será de se transformar num todo,
para poder amar, viver os seus sonhos, 
aventurar-se a estar vivo.
Não me interessa qual o planeta que está em
quadratura com a sua lua, eu quero saber se você é
capaz de se sentar com a dor, a sua e a minha, se
você é capaz de dançar loucamente, e deixar que o
estase lhe envolva até a ponta dos dedos dos pés e
das mãos, sem querer nos aconselhar a sermos
mais cuidadosos, mais realista, ou nos lembrar
das limitações do ser humano.
Não me interessa se a história que você está
contando é verdadeira, eu quero saber se você é
capaz de desapontar o outro para ser verdadeiro
consigo mesmo: e se é capaz de suportar a
acusação de traição e não trair a própria alma.
Eu quero saber se você pode ser confiável e verdadeiro.
Eu quero saber se você pode ver a beleza
mesmo quando o dia não está belo, e se você
pode conectar a sua vida através da presença de Deus.
Eu quero saber se você é capaz de viver com os fracassos,
os seus e os meus, e mesmo assim se postar nas margens 
de um lago e gritar o reflexo da lua: Sim!
Não me interessa onde você mora ou quanto
dinheiro você ganha eu quero saber se você é
capaz de acordar depois da noite de luto e do
desespero, exausto e machucado até a alma, e
fazer aquilo que precisa ser feito.
Não me interessa onde, o que ou com quem
você estudou, eu quero saber o que lhe sustenta
interiormente quando tudo o mais desabou.
Eu quero saber se você é capaz de ficar só consigo
mesmo, e se você realmente é boa companhia para
si mesmo, nos momentos vazios.

Comentários

Anônimo disse…
Marcos,belo texto ,parabéns,meu amigo do coração.Bjus
BLOGZOOM disse…
Marcos, eu creio que cada um deve saber seus limites, a fortaleza que tem dentro de si para suportar as provações, mas tambem ser sensivel o suficiente para dizer que é humano e chorar quando precisar. Beijos
Neusa Fiesta disse…
Que texto maravilhoso, Marcos; parabéns!
Realmente, trata-se de um verdadeiro desabafo!
É muito fácil dar vivas à vida, vangloriar-se dela, quando tudo caminha de maneira perfeita; o difícil é enaltecer a própria vida a ponto de seguir trilhando-a com humildade, amor e sabedoria, quando ela não nos presenteia com aquilo tudo que almejávamos.
Seu desabafo é como se fosse um recado: cansei de correr a cada pedido de socorro seu; quero saber é se conseguiremos continuar vivendo a vida em sua total plenitude quando os ventos não nos forem favoráveis.
Um grande abraço!
Della Coelho disse…
Marcos, mais um excelente texto.PARABÉNS!!! Às vezes o silêncio torna-se um dos momentos mais difíceis para nós, pois é quando enfrentamos a nós mesmos. Beijossssssssssss
Sérgio disse…
Com toda a sabedoria do velho indígena americano que escreveu esse texto, não serei eu a saber. Apenas posso apreciar suas reflexões.

Um forte abraço!

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