Teoria da Inteligencia Multifocal 2

Ferramentas transculturais do FREEMIND

Como o FREEMIND tem como meta o desenvolvimento das habilidades intelectoemocionais, ele pode ser útil para expandir a qualidade de vida de qualquer ser humano de qualquer sociedade, pois suas ferramentas são universais.  Por exemplo, a arte de contemplar o belo, que é uma das ferramentas a ser estudada, é tanto fundamental para quem vive nas florestas como para quem vive nas metrópoles. Contemplar o belo é treinar a capacidade de observar para fazer dos pequenos estímulos da rotina diária um espetáculo aos nossos olhos e, desse modo, enriquecer o prazer de viver e estabilizar a emoção (CURY, 2009). Há uma diferença enorme entre admirar o belo e contemplar o belo. Admirar é uma experiência fugaz, efêmera e superficial. Contemplar é uma experiência arrebatadora, prolongada e profunda. Até um psicopata admira o belo. Quem vive nas matas tem mais chance de desenvolver espontaneamente a ferramenta de contemplar o belo do que quem vive numa floresta de concreto. Nessa, não poucos, precisam de grandes estímulos (aplausos, reconhecimentos, sucessos) para sentir migalhas de prazer, o que compromete gravemente os níveis de satisfação, estabilidade e maturidade psíquica. A arte de contemplar o belo é uma função complexa da inteligência que, infelizmente, poucos desenvolvem. Ela precisa ser lapidada e treinada educacionalmente.  Proteger a emoção é outra ferramenta universal. O ser humano coloca fechaduras nas portas, janelas, carros, empresas, para proteger aquilo que tem valor, mas por incrível que pareça não sabe minimamente colocar “fechaduras” em sua emoção, que é ou deveria ser a sua mais importante propriedade. Qualquer contrariedade, frustração, ofensa, dificuldade, a invade, e furta sua tranquilidade. Não é isso uma incoerência absurda?  Não é sem razão que há muitos miseráveis morando em palácios. Nunca aprenderam a filtrar estímulos estressantes. Para o programa FREEMIND “proteger a emoção” é uma ferramenta fundamental para se adquirir saúde psíquica e social e conquistar uma mente verdadeiramente livre (CURY, 2013). Mas em que escola ou universidade se aprende essa complexa função da inteligência? Quais são as habilidades que se deve desenvolver para proteger a emoção? Esses assuntos vitais para o futuro da humanidade serão tratados aqui.  

Ferramentas utilizadas pelo grande educador da história

A Teoria da Inteligência Multifocal estuda não apenas o funcionamento da mente e a construção de pensamentos, mas também a formação de pensadores, sendo uma das raras teorias que enfocam esse tema. Após terminar os pressupostos básicos da teoria, comecei a estudar os instrumentos intelectuais e emocionais que os grandes personagens da história usaram para influenciar a sociedade e brilhar na sua mente, como Moisés, Buda, Maomé, Confúcio, Sócrates, Platão, Agostinho, Freud, Einstein, e muitos outros.

O programa FREEMIND contempla essas ferramentas. Também comecei a estudar sob o ângulo da ciência (psicologia, psiquiatria, sociologia, pedagogia) a personalidade do homem que “dividiu” a história, Jesus.  Usei as suas quatro biografias em varias versões, chamadas de evangelhos, para analisar sua inteligência, para estudar como ele superava seus focos de tensão, protegia seu psiquismo, filtrava estímulos estressantes, bem como quais os instrumentos mais importantes que usou para educar a emoção dos seus alunos (discípulos), lapidar seu intelecto e fazê-los superar as armadilhas da mente: o conformismo, o coitadismo, os medos (fobias), o radicalismo, o exclusivismo, individualismo, a dependência emocional, a alienação social. Claro que meu estudo é saturado de limitações e imperfeições. Ele sonhava em formar pensadores solidários, seguros (resilientes), que soubessem expor e não impor suas ideias, que pensassem antes de reagir e que, acima de tudo, fossem autores da sua própria história. Onde a fé entra a ciência se cala. O resultado dessa pesquisa psicológica e não religiosa do notável educador Jesus me fez perceber minha pequenez como pensador e educador. Suas reações fogem aos limites da nossa imaginação. Convenci-me, não pela paleografia ou arqueologia, mas através das ciências humanas, de que nenhum autor poderia construir um personagem com as suas características. Ele tinha todos os motivos para ter ansiedade, depressão, fobias, devido à avalanche de estímulos estressantes que vivenciou desde a sua infância, mas atingiu o ápice da saúde emocional, resiliência, habilidade de trabalhar perdas e frustrações. Era capaz de gerenciar sua psique e fazer “poesia” quando o mundo desabava sobre ele. Infelizmente as religiões ao longo da história o estudaram quase que exclusivamente sob o ângulo da espiritualidade e não das ciências humanas. As ferramentas que utilizou eram impactantes. Ele era capaz de dar tudo o que tinha aos que pouco tinha! Nunca desistia de um ser humano, mesmo que o traísse. Seu Eu era de tal forma altruísta, solidário e tolerante que tinha a coragem de dar a uma prostituta o status de rainha e a um discriminado leproso o status de um dileto amigo. Nos tempos de hoje, ele estenderia as mãos para qualquer pessoa socialmente rejeitada e a colocaria no centro da sua história. Certamente abraçaria os “doentes mentais” e gastaria tempo usando metáforas e dinâmicas para encorajá-lo a reciclar sua fragilidade e escrever os capítulos mais importantes de sua história nos momentos mais dramáticos da sua vida.  Fui um dos maiores ateus que pisou nessa terra. A partir dessa análise deixei de considerar a busca por Deus como fruto de um cérebro apequenado que resiste ao seu caos na solidão de um túmulo e passei a entender que essa busca representa um ato inteligente de uma mente a procura do mais importante endereço, um endereço que poucos encontram, dentro de si mesmo. A ciência, que levou alguns ao ateísmo, fez-me percorrer o caminho inverso. Deixei de ser ateu, mas não defendo uma religião. 
Tenho amigos em todas as religiões, católicos, protestantes, judeus, islamitas, budistas, inclusive não poucos ateus, e os respeito muito.

O programa FREEMIND é um programa sem fronteiras das ciências humanas, que objetiva, como disse, atingir as mais diversas culturas, ideologias política e religiões. Uma das ferramentas do programa se encontra nessa tese: ninguém é digno da liberdade e maturidade psíquica se não respeitar os que pensam diferente! Porque falar no programa FREEMIND das ferramentas psicológicas, psicopedagógicas e sociológicas que o homem Jesus usou para equipar a inteligência de seus alunos?

Primeiro, porque são ferramentais universais; segundo, porque representam um exemplo vivo da operacionalidade dessas ferramentas num grupo conflitante de jovens, como era o grupo de discípulos de Jesus; terceiro, porque bilhões de pessoas, portanto, uma parte significativa da humanidade, que abraçaram o catolicismo, o protestantismo, o islamismo (o Alcorão exalta em prosa e versa Jesus), o budismo (grande parte dos budistas o admiram), judeus (muitos o consideram o judeu mais famoso da história) não estudaram os comportamentos do Mestre dos mestres sob o ângulo da ciência e, portanto, não tiveram a oportunidade de incorporar as nobilíssimas ferramentas que ele amplamente ensinou.  Milhões de pessoas admiram e exaltam Jesus a seu modo, mas tem uma emoção desprotegida, não sabem trabalhar perdas e frustrações, sua mente é terra de ninguém, não desenvolveram habilidades básicas para gerir seu psiquismo. Com muita humildade e respeito o programa FREEMIND pretende dar um choque de lucidez também nessa área tão delicada e importante. A religião, se bem usada liberta o altruísmo e a tolerância, se mal usada, pode controlar e não libertar a mente humana. Os 12 alunos do Mestre de Nazaré tinham vários conflitos importantes em sua personalidade: eram autoritários, radicais, exclusivistas, punitivos, tinham a necessidade neurótica de poder, de controlar os outros e de estar sempre certos, enfim, frequentemente lhe davam dores de cabeça. Mas depois de todo seu treinamento educacional que durou pouco mais de três anos, os transformou numa nobre casta de pensadores flexíveis, generosos, que protegiam suas emoções, gerenciavam seu estresse, dirigiam o script de sua história, e que acima de tudo consideravam a vida um espetáculo único e imperdível. Será muito interessante após estudar cada capítulo analisar como o maior educador da história aplicou as ferramentas do “FREEMIND”. Mentes livres e emoção saudável eram duas de suas metas fundamentais.  

Fundamentação do FREEMIND

Este programa é baseado em diversas teorias comportamentais, analíticas, filosóficas, sociológicas, pedagógicas, mas em especial na Teoria da Inteligência Multifocal (TIM.), desenvolvida pelo autor ao longo de mais de 30 anos. A TIM estuda, como o próprio nome indica, múltiplos focos do funcionamento da mente, como o processo de construção do Eu como gestor da psique, os papéis conscientes e inconscientes da memória, o processo de gerenciamento da emoção, o processo de formação de janelas traumáticas e o complexo processo de construção de pensamentos. Além disso, estuda o processo de interpretação, a construção das relações sociais e o processo de formação de pensadores (CURY, 1999).  A Teoria da Inteligência Multifocal está presente em dezenas de livros publicados pelo autor em mais de sessenta países. Além disso, a TIM é objeto de mestrado e doutorado internacionais, como na FCU (Florida Christian University), USA- Flórida. Os grandes e brilhantes teóricos do passado, como Hegel, Kant, Freud, Jung, Skinner, Piaget, Sartre, usaram o pensamento como tijolo pronto para construir suas teorias sobre as relações sociopolíticas, a formação da personalidade, o desenvolvimento do aprendizado, a formação dos conflitos, mas eles não tiveram a oportunidade de estudar detalhadamente o próprio tijolo do intelecto. Ou seja, eles pouco estudaram os tipos, natureza e processos construtivos do pensamento como pedra fundamental do psiquismo. Como a TIM estuda esses fenômenos que estão na base da psique, ela não anula ou compete com as teorias sociais, psicanalíticas, construtivistas, comportamental-cognitivas, ao contrário, as fundamenta, as recicla e as expande.  Quem abrir mão de escrever a sua própria história, provavelmente seus erros, conflitos, culpas, medos, rejeições, privações, traumas na infância, dependência química, as escreverão. Metaforicamente dizendo, o programa FREEMIND pode oferecer “a tinta e o papel”, mas só o participante pode escrever a sua história.  Uma pessoa madura jamais dá as “costas” para seu conflito, seja qual for, mas aprende a transformar o caos em oportunidade criativa, bem como aprende a escrever os melhores textos da sua vida, ainda que com lágrimas, nos dias mais dramáticos da sua história. O programa FREEMIND demonstra que “se a sociedade te abandonar a solidão é suportável, mas se você mesmo se abandonar ela é intolerável”. Uma pessoa feliz, autônoma e saudável tem mais chances de, ao se relacionar com os outros, “arquivar” janelas Lights ou saudáveis na memória deles e contribuir para fazê-los felizes e
saudáveis. Uma pessoa emocionalmente ansiosa e estressada tem chance de “plantar” janelas Killers ou traumáticas e, assim, adoecer quem está próximo. As relações interpessoais podem contribuir para promover cárceres psíquicos ou mentes livres (FREEMIND).  

Operacionalidade do programa

O programa FREEMIND, embora possa ser vivenciado individualmente, preferencialmente ele deve ser aplicado em grupo nas universidades, escolas secundárias, instituições sociais, empresas, igrejas, hospitais, clínicas para dependentes químicos. Se aplicado em grupo, será proposta a seguir uma série de ferramentas para a sua melhor operacionalidade. Essas ferramentas são flexíveis e devem ser adaptadas a qualquer povo, cultura ou instituição.
1- Cada participante deve ter o material antes das reuniões para poder lê-lo e estudá-lo. É fundamental estudá-lo também depois de cada reunião devido à complexidade das suas ferramentas. 2- Recomendamos que cada ferramenta seja trabalhada semanalmente em uma ou duas reuniões em dias alternados. 3- O programa foi elaborado para ser vivenciado em grupo, embora possa ser trabalhado individualmente. O número de participantes de cada grupo não é rígido: cinco, dez, quinze ou mais. Se o número for excessivamente grande para impedir a participação de todos, seria bom dividi-lo em dois grupos.  4- O grupo deve se reunir em círculo ou semicírculo. Olhos nos olhos incentivam o debate, a troca e a cumplicidade.  5- Todos devem se desarmar, tirar as máscaras e ser transparentes durante as reuniões.  Quem não é transparente não se recicla, e quem não se recicla pode levar para o túmulo seus conflitos, traumas, bloqueios. 6- No inicio de cada reunião os participantes devem falar sua identidade mínima: nome, origem e principais metas psíquicas e sociais que deseja alcançar. 7- No final de cada reunião os participantes devem se cumprimentar, abraçar um ao outro e agradecer a cada um por existir. Solidariedade, tolerância e paz social são fundamentais no programa FREEMIND.
8- A duração de cada reunião é flexível, depende da capacidade de debater e dos níveis de interação dos membros do grupo, mas em tese deveria durar em torno de duas horas.  9- Seria conveniente que um líder da instituição ou membro do grupo fosse o líder ou facilitador, estudando os textos previamente e se preparando para dar uma pequena aula sobre cada ferramenta (15 a 30 minutos), antes de iniciar o debate.  10-  Outro modelo de reunião, mais recomendável, é o facilitador fazer pequenas exposições de 5 a 10 minutos sobre os mais diversos temas que compõem cada ferramenta. Após cada exposição inicia-se o debate sobre o tema. Depois de esgotá-lo, outra exposição é feita provocando novos debates. 11-  O verdadeiro líder ou facilitador nem sempre é o que tem mais conhecimento do grupo, mas o que mais estimula o debate, não é o que domina os participantes, mas o que mais incentiva a participação.  12- O facilitador deve levar todos os participantes a honrar e aplaudir quem fala ou expõe suas ideias. Vivemos numa sociedade castradora, que aplaude celebridades, mas não as ideias dos anônimos. Elogiar e aplaudir faz com que participar se torne um convite ao prazer e à arte de pensar. 13-  Os mais tímidos devem ser encorajados a se expressarem. O facilitador e os demais membros devem comentar que a experiência deles é muito importante para o grupo. Saiba que 80% das pessoas têm sintomas de timidez e insegurança. Devemos ter medo não de falar, mas de nos omitir. O preço da omissão é muito mais caro do que os erros da ação.  14-  Os que têm mais facilidade de se expressar não devem controlar as reuniões. Deve aprender a sintetizar a sua fala e descobrir o prazer de ouvir. Lembre- se que aprender a ouvir é tão fundamental como falar.  15-  Cada pergunta exposta durante o texto deve servir de alvo para o debate. Esperamos que o debate já tenha ocorrido durante toda a exposição de cada ferramenta, mas para facilitá-lo, ao final de cada capítulo, haverá uma série de importantes perguntas no PAINEL DE DEBATE e, em seguida, um PAINEL DE EXERCÍCIOS DIÁRIOS. É fundamental utilizá-los.  16-  O facilitador, bem como os demais membros do grupo, devem abrandar as disputas, intrigas, ofensas. Cada participante deve aprender que uma pessoa madura expõe suas ideias e não as impõe.
17- Todos devem respeitar as ideias de um participante ainda que seja contrária ao pensamento da maioria do grupo. Se o que ele pensa é débil ou infantil, dê-lhe tempo para amadurecer. Saiba que ninguém muda ninguém, só a própria pessoa pode reescrever sua história. 18- Faça a oração dos sábios quando alguém se exaltar (esbravejar-se) ou mesmo quando se emocionar e chorar: o silêncio. 19- Sonhamos que cada um dos participantes se torne multiplicadores do programa FREEMIND, futuros líderes ou facilitadores, aplicando-o nas instituições, escolas, empresas, famílias.  20- É recomendável que esse programa que dura cerca de três meses possa ser vivenciado pelos participantes pelo menos uma vez por ano nos próximos anos. A cada programa absorve-se mais as pérolas das complexas ferramentas e cristalizam-se mais as conquistas.
Participar do programa FREEMIND é prazeroso, embora possa levar em alguns momentos o participante a mapear seus fantasmas: fobias, rigidez, pessimismo, autopunição, necessidades neuróticas. Usando uma cozinha como metáfora das reuniões, no inicio há certa desorganização, mas pouco a pouco os melhores pratos são elaborados. Lembre-se que todos os participantes são cozinheiros do conhecimento. Cada um deve elaborar seus “nutrientes”, ou seja, deve levar para o território da sua mente as lições e ferramentas que encontrou, aprendeu, construiu. Cada participante tem suas particularidades e limitações e elas devem ser respeitadas. Não é a quantidade de informações que é o mais importante, mas a qualidade para suprir a sua inteligência.  Faremos com todos os participantes uma grande viagem, talvez a mais importante de todas, uma viagem para dentro de nós mesmos, para algumas camadas mais profundas de nossa mente. Almejamos que, através do FREEMIND, você ande em terrenos nunca antes pisados e, em especial, se torne um caminhante nas trajetórias continua...

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